Desde tempos remotos que o Homem, onde quer que se tenha estabelecido, tanto para a sua própria protecção, como por recreação, encontraram tempo livre para dedicar à prática de exercício físico, para além de constituir um meio de subsistência, como a pratica da caça, por exemplo.

No entanto, apenas com a civilização grega surgiu uma forma mais rigorosa e definida de exercício físico e desporto. A prática de exercícios tinha apenas objectivos militares e é neste contexto que pela primeira vez é usada a palavra ginástica. O Ginásio ou a Palestra eram recintos ao ar livre onde os praticantes de tenra idade treinavam e realizavam a sua formação geral sob vigilância do pedótribo.

Com a queda da civilização grega, e mais tarde da civilização romana, a Europa caiu na idade das trevas e por conseguinte muito pouco se soube da ginástica durante este período, com a excepção dos jogos e acrobacias que os saltimbancos exibiam nas feiras e nas cortes da nobreza.

Foi apenas com a chegada do período da Renascença que houve uma tentativa de utilizar a ginástica de Guts Muths, que estudou o uso que os gregos faziam dos seus exercícios físicos e usou-os para formular uma base para Educação Física.

Um alemão, Jahn e um sueco, Ling, continuaram o seu trabalho durante os princípios do século XIX, e determinaram uma ruptura definitiva dos conceitos de ginástica. Jahn desenvolveu o desporto ginástica (Ginástica alemã) enquanto Ling desenvolveu um sistema de ginástica (Ginástica sueca). Estas duas formas são muito diferentes: enquanto a ginástica de Ling era um sistema de educação do movimento, o método de Jahn ultrapassava o simples quadro corporal.

A primeira Federação de Ginástica surgiu em 1832, na Suíça. Neste mesmo ano, é organizada a 1ª Festa Gímnica Federal ("Turnfest") em Aarau, que desde então se repete anualmente. A partir daqui o incremento da ginástica é tal, que no final do século XIX o número de associações de ginástica, espalhadas pela maior parte dos países europeus, gera um movimento social e político impossível de ignorar.

A ginástica de então era antes de mais um sistema concebido para desenvolver as qualidades físicas dos indivíduos. Este sistema insere-se entre outros, como um meio de reeducar as populações e de lhes dar a força física e moral necessária para se defenderem contra os eventuais invasores. Surge, entretanto em 1981, a Federação Europeia de Ginástica que mais tarde passa a designar-se por Federação Internacional de Ginástica, a qual consagra o movimento iniciado em 1832 na Suíça.

Em 1903, a Federação Europeia organiza o primeiro torneio internacional em Invers, que a partir de 1934 se passou a designar por Campeonato do Mundo. Portanto, a tendência desportiva da ginástica começa a ganhar forma no virar do século XX. Neste contexto, as competições internacionais de ginástica eram inicialmente destinadas a alguns países Europeus. Mais tarde, foram admitidos os Estados Unidos, mas só em 1952 a Federação Internacional se abriu aos países do Mundo inteiro.

Em Portugal, foi em 1875 que pela primeira vez um clube - Real Ginásio Clube Português - organizou, de forma contínua, uma classe de ginástica.

A partir daí, a evolução da modalidade é paralela ao trajecto da Educação Física em Portugal. O Ginásio Clube Português, juntamente com o Ateneu Comercial de Lisboa, e o Lisboa Ginásio Clube, são as instituições fundamentais no desenvolvimento da ginástica portuguesa.

Em 20 de Novembro de 1950 surgiu a Federação Portuguesa de Ginástica e dois anos mais tarde, nas Olimpíadas de 1952, surge pela primeira vez a presença de ginastas portugueses. Os Trampolins Elásticos, tiveram o seu desenvolvimento em termos competitivos em Portugal, a partir de 1976 e a Ginástica Acrobática a partir de 1980 o que levou, com o passar dos tempos, à criação da Federação Portuguesa de Ginástica e Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos.

Aula de Ginástica no Colégio Militar, em Lisboa, na primeira metade do século XX, com um tipo de exercícios rígidos militarizados. Escola Sueca de Ling (1776-1839).


 

 

 

Conteúdos

 

Ginástica de Solo

 

Rolamento à Frente

 

e Equilibrar e sustentar o corpo, durante a fase inicial do movimento, através dos membros superiores;

e Apoiar as mãos, sensivelmente, à largura dos ombros;

e Flexão da cabeça (queixo no peito);

e Apoiar a nuca no solo;

eEfectuar o movimento mantendo os joelhos junto ao peito, com os membros inferiores flectidos e unidos;

e Apoiar os calcanhares junto aos nadegueiros;

e Elevar-se com ou sem a ajuda das mãos.

 

Rolamento à Frente com Membros Inferiores Afastados

 

e Mãos no solo à largura dos ombros e viradas para a frente.

e Forte impulsão de membros inferiores.

e Apoio das mãos longe dos apoios dos pés.

e Membros inferiores estendidos, afastam-se só no final do enrolamento.

e Boa flexão de tronco à frente para permitir a repulsão de membros superiores efectuada “por dentro” dos membros inferiores afastados.

 

Rolamento à Frente com Membros Inferiores Juntos

 

e Mãos no solo à largura dos ombros e viradas para a frente.

e Forte impulsão de membros inferiores.

e Apoio das mãos longe dos apoios dos pés.

e Membros inferiores estendidos e sempre unidos e os pés em flexão plantar (“pontas” ou “bicos”).

e Boa flexão de tronco à frente para permitir a repulsão de membros superiores efectuada “por fora” dos membros inferiores.

 

Rolamento à Frente Saltado

 

e  Impulsão a pés juntos, seguido da projecção do corpo para a frente;

e  Lançamento dos membros superiores;

e  Saída dos pés do solo com elevação da bacia;

e  Apoio das mãos à largura dos ombros o mais longe possível, com flexão dos cotovelos;

e  Apoio da nuca no solo, seguido do rolamento progressivo sobre a coluna, mantendo o corpo engrupado;

e  Contacto da bacia com o solo e colocação dos pés junto à bacia;

e  Projecção dos membros superiores para a frente em elevação anterior, terminando na posição de sentido com os membros superiores em elevação superior e no prolongamento do tronco.

 

Rolamento à Retaguarda

 

e Apoiar as costas das mãos nos ombros, com as palmas das mãos viradas para cima, sensivelmente, à largura dos ombros;

e Cotovelos colocados, sensivelmente, à largura dos ombros;

e Procurar o apoio das mãos no solo, antes do apoio da cabeça;

e Flexão da cabeça (queixo no peito);

e Apoiar os nadegueiros junto aos calcanhares;

e Promover o desequilíbrio e efectuar o movimento mantendo os joelhos junto ao peito, com os membros inferiores flectidos e unidos;

e Efectuar a acção de repulsão, promovendo a elevação da bacia e facilitando a passagem da cabeça entre os membros superiores;

e Projectar os pés em direcção ao solo.

 

Rolamento à Retaguarda com Membros Inferiores Juntos e Afastados

 

eFlexão do tronco sobre os membros inferiores e o queixo sobre o tronco.

e Mãos apoiadas no solo à largura dos ombros e viradas para a frente.

e Manutenção do corpo bem fechado sobre si próprio durante o enrolamento.

e Repulsão efectiva das mãos o solo de forma a passar a cabeça sem bater.

 

Apoio Facial Invertido de Cabeça ou “Pino” de Cabeça

 

e Partir da posição de deitado ventralmente.

e Apoiar a testa (cujo ponto de apoio no solo faz um triângulo com os apoios das mãos).

e Começar por subir a bacia (noção de “puxar” as pontas dos pés para o nariz) e só quando esta estiver por cima dos apoios, deixar subir os membros inferiores para a vertical.

e Empurrar o solo com os membros superiores de forma a levantar a cabeça antes do enrolamento.

e Tonicidade geral, membros inferiores e pés bem estendidos.

 

Posição de Equilíbrio – Avião

 

e  Tronco paralelo ao solo;

e  Membros superiores em extensão, no prolongamento do tronco ou lateralmente;

e  Membros superiores em elevação, paralelos ao solo;

e  Membros inferiores em extensão;

e  Olhar dirigido para a frente.

 

Posição de Flexibilidade – Ponte

 

e  Planta dos pés apoiadas no solo;

e  Mãos apoiadas ao lado da cabeça com os dedos afastados e orientados para os pés;

e  Extensão dos membros superiores e membros inferiores;

e  Elevação da bacia;

e  Membros inferiores unidos;

eCabeça acompanha o movimento de extensão da coluna;

e  Olhar dirigido para as mãos.

 

 


Como Podes Melhorar

 

 

Rolamento à Frente

 

Situação 1:

       Na posição de quadrúpede (com os quatro apoios no solo), fazer a extensão e flexão da coluna vertebral.

       Material: Colchões.

 

Situação 2:

       A partir da posição sentado, rolar à retaguarda sobre a coluna e regressar à posição inicial.

       Material: Colchões.

 

Situação 3:

       De joelhos sobre um plano elevado ou partindo da posição de “carrinho da mão”, com o auxilio de um colega, colocar as mãos no solo e fazer o rolamento à frente.

       Material: Cabeça do plinto, banco sueco, colchão de queda ou trampolim reuther.

 

Situação 4:

       Com os pés apoiados nos espaldares, fazer a impulsão com os membros inferiores para aumentar a velocidade de rotação.

       Material: Espaldares e colchões.

 

Situação 5:

       Rolamento à frente sobre um plano inclinado.

       Material: Cabeça do plinto, banco sueco, colchão de queda ou trampolim reuther e colchões.

 

Situação 6:

       Realizar o rolamento à frente com o auxílio de um colega ou do professor.

       Material: Colchões.

 

Rolamento à Frente de Membros Inferiores Afastados

 

Rolamento à Frente de Membros Inferiores Afastados

 

Situação 1:

       De joelhos sobre um plano elevado colocar as mãos no solo e fazer o rolamento à frente com as pernas afastadas.

       Material: Cabeça do plinto, banco sueco, colchão de queda ou trampolim reuther e colchões.

 

Situação 2:

       A partir da posição semi-invertida, com os pés apoiados no solo, fazer o rolamento à frente com os membros inferiores afastados, sobre a coluna vertebral e colocar as mãos entre as coxas junto da bacia para empurrar o solo.

       Material: Colchões.

Situação 3:

       Rolamento à frente com os membros inferiores afastados sobre a cabeça do plinto inclinada.

       Material: Cabeça do plinto e colchões.

 

Situação 4:

       Levantar da posição final do exercício sobre a cabeça do plinto, empurrando-o para trás e projectando os ombros para a frente de forma a ficar de pé.

       Material: Cabeça do plinto e colchões.

 

Situação 5:

       Rolamento à frente com os membros inferiores afastados sobre um plano inclinado.

       Material: Cabeça do plinto ou trampolim reuther e colchões.

Rolamento à Frente de Membros Inferiores Juntos

 

Situação 1:

       Rolamento à frente com os membros inferiores juntos e estendidos sobre a cabeça do plinto inclinada.

       Material: Cabeça do plinto e colchões.

 

Situação 2:

       Levantar da posição final do exercício sobre a cabeça do plinto, empurrando-a para trás e projectando os ombros para a frente, de forma a ficar de pé.

       Material: Cabeça do plinto e colchões.

 

Situação 3:

       Rolamento à frente com os membros inferiores juntos e estendidos sobre um plano inclinado.

       Material: Cabeça do plinto ou trampolim reuther e colchões.

Rolamento à Frente Saltado

 

Situação 1:

       Realizar saltos de coelho sucessivos no solo.

 

Situação 2:

       Rolamento à frente tentando pôr as mãos para além de um risco traçado no tapete ou ultrapassar o espaço entre colchões.

       Material: Colchões.

 

Situação 3:

       Rolamento à frente passando por cima de um obstáculo (colchão de queda fofo enquanto não houver domínio total da chegada).

       Material: Colchões de queda e colchões.

 

Situação 4:

       Rolamento à frente com impulsão no trampolim reuther e chegada ao solo num plano elevado e inclinado.

       Material: Trampolim reuther, colchões de queda e colchões.

 

Situação 5:

       Rolamento à frente com impulsão no trampolim reuther.

       Material: Trampolim reuther e colchões.

Rolamento à Retaguarda

 

Situação 1:

       Na posição de quadrúpede (com os quatro apoios no solo), fazer a extensão e flexão da coluna vertebral.

       Material: Colchões.

 

Situação 2:

       Rolamento à retaguarda até à colocação das mãos e da nuca no solo.

       Material: Colchões.

 

Situação 3:

       Rolamento à retaguarda sobre o trampolim reuther terminando de joelhos.

       Material: Trampolim reuther e colchões.

 

Situação 4:

       Rolamento à retaguarda sobre a cabeça do plinto inclinada.

       Material: Cabeça do plinto e colchões.

 

Situação 5:

       Rolamento à retaguarda sobre um plano inclinado.

       Material: Cabeça do plinto ou trampolim reuther e colchões.

Rolamento à Retaguarda com Membros Inferiores Juntos e Afastados

 

Situação 1:

       Realizar desequilíbrios à retaguarda colocando correctamente as mãos e a nuca no solo.

       Material: Colchões.

 

Situação 2:

       Rolamento à retaguarda com os membros inferiores afastados ou juntos sobre o banco sueco inclinado com um colchão por cima partido da posição de sentado.

       Material: Banco sueco e colchões.

Situação 3:

       Rolamento à retaguarda com membros inferiores afastados ou juntos sobre a cabeça do plinto inclinada.

       Material: Cabeça do plinto e colchões.

 

Situação 4:

       Rolamento à retaguarda com membros inferiores afastados ou juntos sobre um plano inclinado.

       Material: Cabeça do plinto ou trampolim reuther e colchões.

Apoio Invertido de Cabeça ou “Pino” de Cabeça

 

Situação 1:

       Desenhar no solo (colchão), o local de colocação das mãos e da cabeça. Elevar a bacia na posição invertida.

       Material: Colchões.

 

Situação 2:

       Apoio invertido de cabeça partindo com os membros inferiores num plano mais elevado.

       Material: Cabeça do plinto, banco sueco, colchão de queda ou trampolim reuther e colchões.

 

Situação 3:

       Apoio invertido de cabeça trepando com os pés nos espaldares.

       Material: Espaldares e colchões.

 

Situação 4:

       Apoio invertido de cabeça de encontro aos espaldares.

       Material: Espaldares e colchões.

 

Situação 5:

       Apoio invertido de cabeça com auxilio de um colega ou do professor.

       Material: Colchões.

 


Fichas de Avaliação Informativa

 

1.   Cada uma das questões colocadas, apresenta apenas uma resposta certa. Escolhe a alínea correcta, e assinala-a com um círculo à volta.

 

1.1 – No rolamento à frente com as pernas afastadas deve-se:

 a) - Estender as pernas e afastá-las só no final do enrolamento.

 b) - Estender as pernas e afastá-las no início do enrolamento.

 c) - Estender as pernas e afastá-las durante o enrolamento.

 

1.2 No rolamento à retaguarda com as pernas afastadas ou juntas tem que se:

 a) - Abrir ligeiramente o corpo durante o enrolamento.

 b) - Fechar bem o corpo durante o enrolamento.

 c) - Estender o corpo durante o enrolamento.

 

1.3 – No rolamento à frente saltado deve-se:

 a) - Projectar os braços para a frente ao nível do peito e terminar na posição de sentido com os braços a apontar para baixo e no prolongamento do corpo.

 b) - Projectar os braços para a baixo ao nível do peito e terminar na posição de sentido com os braços a apontar para trás e no prolongamento do corpo.

 c) - Projectar os braços para a frente ao nível do peito e terminar na posição de sentido com os braços a apontar para cima e no prolongamento do corpo.

 

1.4 – No “pino” de cabeça deve-se:

 a) - Empurrar o solo com os braços de forma a levantar a cabeça antes do enrolamento.

 b) - Puxar o solo com os braços de forma a levantar a cabeça antes do enrolamento.

 c) - Empurrar o solo com as pernas de forma a levantar a cabeça antes do enrolamento.

 

1.5 – No rolamento à frente saltado deve-se:

 a) - Fazer a impulsão a pés juntos, lançado o corpo para trás.

 b) - Fazer a impulsão com um pé de cada vez, lançado o corpo para a frente.

 c) - Fazer a impulsão a pés juntos, lançado o corpo para a frente.

 

2. Assinala com verdadeiro (V) ou falso (F) as seguintes afirmações:

 

2.1 – O rolamento à frente com as pernas afastadas deve-se fazer com as pernas afastadas e flectidas.  (V) / (F)

2.2 – No “pino” de cabeça devemos começar a puxar primeiro as pernas e só depois a bacia.  (V) / (F)

2.3 – No rolamento com os membros inferiores afastados ou juntos as mãos devem estar viradas para a frente.  (V) / (F)

2.4 – No rolamento à frente saltado deves apoiar as mãos no solo o mais longe possível uma da outra.  (V) / (F)

2.5 – No rolamento à frente com as pernas juntas as pernas têm que estar sempre unidas e os pés em “pontas” ou “bicos”.  (V) / (F)